quinta-feira, 23 de setembro de 2010

FRANCISCO DE CASTRO LAGRECA


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Aos Estudantes da Escola "Luiz de Queiroz"


Nessa terra feliz e coberta de opulência.
Onde de ter nascido eu me orgulho e me ufano,
Ergue-se para vós um templo soberano,
Das lutas p'lo saber, das lutas pela ciência.


Trabalhai por erguê-lo ao celeste oceano,
Pois, dai-lhe a forte voz de vossa inteligência,
Não o deixeis girar no eixo da decadência,
E jovens, não fujais do combater insano.



Bravo, grandes que sois em tão precoce idade,
Eu gosto de vos ver lutando ao retumbar
Da límpida canção azul da mocidade...


E, nesta frente altanada de heróis,
A Deus peço que faça o louro fulgurar
Brilhando como brilha um turbilhão de sóis.



1901








Rememorando
Francisco de Castro Lagreca



Generalidades


São indecifráveis os propósitos do Todo Poderoso.



Minha mãe, católica fervorosa, mas não beata, de quem todos nós, filhos, aprendemos as primeiras lições, nunca deixou de incutir a submissão à Ele, a respeitá-Lo, honrá-Lo, e sempre ter receio de sua “varinha de algodão”. “Deus bate forte com vara de algodão”, dizia ela, quando queria referir-se ao castigo implacável que mais tempo, menos tempo viria Dele em função de nossos atos condenáveis.


Mas ao mesmo tempo não deixava ela de referir-se a Ele como o Justo dentro das ações meritórias (públicas os reservadas), que poderiam tardar, mas nunca deixariam de falhar no seu galardão.


Frente a esta formação Cristã transmitida por minha genitora, posso dizer que muitas vezes não entendi Seus desígnios. Se a fidúcia alguma vez foi abalada devido aos tremores que faziam sentir faltar a terra sob meus pés, sempre houve uma alternativa, quase que milagrosa, que se impunha como solução das algaravias e enovelamentos que tentavam englobar e confundir nosso corpo e alma.


Em função destes conceitos, poderíamos dizer até pragmáticos, foi estabelecida minha existência.
Não só por uma vez O senti levantar sua mão em minha defesa, desde incidentes graves na fazenda durante minha infância, bem como outras inúmeras vezes em que o anjo negro tentou me agarrar levando ao encontro a Caronte, barqueiro de Hades, para atravessar o rio Aqueronte.


Mas havia mais missões a serem executadas antes desta grande e derradeira jornada. E agora, pressentindo que elas já tenham sido cumpridas em grande parte, conquanto ainda reste algum trabalho a ser realizado até que a moeda seja colocada sob a língua -o justo pagamento ao barqueiro-, sinto a necessidade de divulgar série de fatos pertencentes aos tempos passados.


Mesmo agora, não posso deixar de ainda sentir a presença da saga, que sempre se faz presente, nos bons e maus momentos, a me acompanhar como imutável sombra. Constitui ela o anteparo mágico que se coloca entre eu e os maus acontecimentos, protegendo-me de ser prejudicado quando tomamos uma atitude ou executamos alguma ação. Os caminhos futuros são insondáveis, as sinuosidades que os envolvem são tão prolixas que se torna impossível prever com clareza o que ocorrerá no futuro, mas algumas vezes podemos sentir sua imagem lambuzada sombreando a porta do porvir. E assim, cabisbaixos ou não, avançarmos pouco a pouco mais no que nos reserva a roda da vida.

Algumas vezes fui surpreendido pelas nuances do acaso. E estas passagens que me são resporadicamente reservadas não constituem mais que experiências existenciais. Já me acostumei a aceitar com certa resignação estes fatos, com plena intuição que eles não passam das eternas brincadeiras que o destino me reservava.
Fomos admitidos na Academia Piracicabana de Letras em 2010. Fomos honrados por esta digna Instituição a ocupar a cadeira número 25, em que o patrono é Francisco Lagreca.

Qual não foi minha surpresa quando, procurando fatos sobre este ilustre personagem, muito pouco encontrei.
Insatisfeito com tal posicionamento, parti em busca de quem pudesse fornecer informações sobre ele. E fui encontrar estes dados em São Paulo com uma descendente familiar. Em viagem há alguns anos até Santa Domenica Talao, teve a informante a satisfação de confirmar os conhecimentos transmitidos oralmente a ela.

História Familiar

Nossa história começa na Itália, em pequena cidade da província de Cosenza, da Calábria, denominada de Santa Domênica Talao. Possui atualmente 35 Km2 e 1300 habitantes.

Neste local nasceu Pietro Paolo Francesco Lagreca, filho de Benigno Lagreca e Clorinda Campagna em 5 de outubro de 1857 e falecido em 01 de junho de 1944 em São Paulo.



Pietro Paolo La Greca era filho de Benigno La Greca, nascido em 1810 e casado em 18 de fevereiro de 1849 com Clorinda Campagna, e (Benigno) já era advogado (dottore in legge).
Os Lagreca já se constituíam família diferenciada dentro desta província, visto que Don Giuseppe La Greca, último arcipreste de Santa Domenica Talao foi poeta e filósofo literário e ainda diversas de suas obras ainda são conservadas.
Pietro Paolo F. Lagreca imigrou para Pernambuco com mais dois irmãos. Um permaneceu em Pernambuco, outro em Rio de Janeiro e o último em São Paulo.






Os motivos desta mudança são desconhecidos.. Uma das hipóteses especuladas seria que a Calábria teria sofrido grandes intempéries assim como toda a Itália (que era constituído por reinados). O sistema político italiano era praticamente feudal. A economia e o direito eram discutíveis. A fome e doenças imperavam. Em 1840 eclode surto de cólera. Em 1859 tratos entre Cavour e Napoleão III originaram lutas internas. Em 1860 surge Garibaldi com sua unificação dos diversos reinos.


Provavelmente os irmãos preferiram enfrentar o desconhecido do que a própria situação que reinava na Itália, como veio ocorrer de forma exacerbada alguns anos depois.

Pietro Paolo Lagreca veio a casar-se em 16 de outubro de 1880 com D. Maria Leopoldina de Castro Lagreca (filha de Francisco Rodrigues de Barros e Maximiana Rosa de Castro) em Piracicaba. Destas núpcias nasceram os seguinte filhos: Leopoldo, Francisco, José, Rosa, Leonor, Benigno, Gelsomina, Galilei, Zuleica, Silvério (Silvio 14/06/1895-Piracicaba 30/04/1966-São Paulo. Foi o primeiro técnico de seleção de futebol)





Os Lagreca possuem extensa história ligada às artes. Provavelmente, devido ao berço que possuíam há mais de um século, com domínio sobre filosofia, poesia, seja, pessoas letradas e inclusive como figura proeminente na cidade, estes conhecimentos os faziam ressaltar dentro da comunidade de campesinos, que era a grande maioria da população dos reinados.

Corroborando estes fatos,temos pequeno livro de anotações, de Benigno Lagreca, datado de 1839;





Outro aspecto importante é o hábito que tinha Pedro Paulo Lagreca, pai de F. Lagreca em anotar o nome e a data do nascimento de todos os filhos em documentação própria.

Nascimento dir miei Figlinolo

Naque il mio primo figlio Leopoldo in giorno 1 di gennairo
1882

Naque il mio secondo figlio Francesco il giorno 17 di Febbraio del 1883

Naque il mio terzo figlio Guseppo, il giorno 8 di Agosto 1884

Mi sono maritato il giorno 18 di outubro 1880






Como última conseqüência desta herança cultural, temos que o próprio Francesco Lagreca era formado advogado em 1906.


Família Lagreca


Ao centro sentado Pedro Paulo Lagreca e sua esposa e segunda filha, Maria Leopoldina.
Homens, da esq. p/ dir. Tio Petito (Silverino), tio Mezoco (Galileo), tio Zoca (José), vovô Benigno, tio Chico (Francesco). Faltou tio Nenê (Leopoldo)



Tempo e Obra


Há muito que me surpreendia sobre referências feitas por minha mãe (Antonieta Buzato Alleoni 1906-2001) de uma pessoa conhecida como o “Poeta de Piracicaba” ou segundo ela, o “Príncipe dos Poetas”.

Seguramente meu primeiro conhecimento sobre esta pessoa ocorreu frente ao monumento do Soldado Constitucionalista, ainda nos meados da década de 1950, onde uma inscrição sempre me chamava a atenção desde tenra idade, e que era sempre referida por minha genitora como da autoria dele:


“Este é o valor da terra estremecida,
É o poema à glória piracicabana!
Pela Pátria a lutar, vida por vida,
Tombaram com bravura soberana!
Dor e martírio de uma raça forte,
Que a luz e o ideal de um sentimento novo!
Sobre estas pedras não existe a morte,
Porque não morre quem defende um povo!”











Dentro de nossa residência, algo que não faltava eram livros e mais livros, revistas das mais diversas, que eu lia avidamente com o maior prazer. Entre os livros de versos, também encontrava-se o de Francisco Lagreca, onde a colocação de palavras se fazia de forma altamente concatenada, marcante, e descritiva, para não falar, até com um sabor de magia:




"Bravio, intrépido, indomável,
Como se fossem leões na jaula impenetrável,
O rio, com as jubas crespas, vem rolando,
Vem avançando,
Numa fatal carreira,
Até cair na pedreira.
Ruge, reboa, atroa, fala, canta,
E a espumarada ferve, referve,
sobre o leito,
Que é como o peito
De um imenso gigante."

E pasmem: as linhas acima foram escritas quando ele tinha apenas seus treze anos.



Outro encontro extremamente impetuoso que firmou minha convicção sobre este grande homem deu-se no ano de 2006, quando escrevendo o livro do Centenário do Lar dos Velhinhos de Piracicaba, localizamos o texto abaixo reproduzido:






“Há o amparo que nasce da hipocrisia e há o que nasce da sinceridade. O primeiro é fruto podre, caído de almas degeneradas; o segundo é a flor mais pura e mais formosa que todas as flores, e que só viceja no fundo dos corações verdadeiramente humanos. Neste Asilo se encontra o amparo que nasce da sinceridade. É um templo de infinito zelo e de infinita consolação, diante de cujos umbrais o meu pensamente se ajoelha reverente, e faz votos para que se prolonguem pela vida destes pobres asilados, a bondade, o carinho, as raras e imensas virtudes do seu fundador.”



Estas linhas, juntamente com sua produção de poemas, simplesmente vem endossar o homem com visão aquilina e sagaz que se fazia presente no jovem em plena juventude na Noiva da Colina.


Continuando a explorar esta alma excepcional que esteve presente na primeira metade do século XX, encontramos a descrição de locais que não mais existem hoje:


Fechada, sem adornos, quase esquecida,
A velha Santa Cruz, através dos contornos
do ambiente
Parece ter saudades de outra vida
Quando ali se reunia e delirava a gente


Que aspecto pobre, que simplicidade!
Dos dias de fulgor nada mais resta...
Naquele tempo todo o povo da cidade,
Em bandos forasteiros,
Vinha ali assistir aos encantos da festa.

E era o samba, o batuque, os tristes cantos,
Dos violeiros, com seus prantos,
Doces lembranças do país natal...
A branca ermida, toda enfeitada,
Com as flores mais belas,
Sorria aos beijos puros das estrelas,
No amplo docel da noite extática e aromal!

Hoje, na paz de uma recordação,
Está triste a pensar nas mortas alegrias,
A volta da primavera,
Os áureos sonhos dos passados dias...




Houve publicação póstuma em 1959 das “Poesias de Francisco Lagreca”, pela Editora José Aloisi Ltda onde estão depositadas 169 das suas obras.



Para continuar a sentir o perfil deste grande homem das letras, não poderíamos deixar de lembrar também trechos da Oração ao Salto:

Meu rio caudaloso, meu dolente rio
Amo-te assim, indômito, bravio,
No turbilhão das ondas rumorosas!
Amo-te assim em vagas tumultuosas,
Rolando pelas pedras desnegridas,
Cantarolando estas canções sentidas
Com que embala o sono da cidade,
Nas horas de silêncio e de saudade!
Amo-te assim, no horrendo deste abismo.
Porque ouvindo tua voz, eu penso, eu sismo,

Que vim de ti, do teu revolto seio,
Para melhor sentir o meu anseio,
Para que eu possa com orgulho amar-te
E o teu canto levar para toda a parte!
-------------------------------------------
Quantas vezes, olhando-te bem de perto
Olhos parados, um olhar aberto,
No êxtase musical dos teus rumores,
Evoquei os teus velhos pescadores!
Quantas vezes na angústia do segredo
A fitar-te na sombra do arvoredo
Por me vires descrente e solitário,
Como um piedoso, místico, sudário,
Recolhestes, nas dobras de teu manto,
A amargura infinita de meu pranto!
Quantas vezes. Ao luar beijando as ondas
Que vem descendo louras e redondas,
Ao culto enternecido do lirismo,
Fiz de teu seio um suave misticismo...
Meu Deus, Senhor, que me deste a glória
Dos humildes na vida transitória,
Faz com que minha alma vibre e cante,
Este som, esta vida extasiante...
Senhor! Quero que a vida alheia às dores
Seja a perpetuação destes rumores:
Águas rugindo na fatal corrida,
Sonoras, vivas, como a própria vida!
Senhor! Transforma o meu viver tristonho
Nesse divino abismo dos meus sonhos!

Caso esta concatenação não nos fosse ainda plenamente satisfatória, teríamos como outra sobeja manifestação trechos do:
Piracicamirim
Desconhecido, humilde, ,
Numa indolência sem fim,
Desliza o Piracicamirim.


Sem cachoeiras,
Sem rumores,
Numa florida devassa,
Veste uns ares sombrios,
Estremece de arrepios.

Um chorão debruçado , entregue às mágoas
Bebe toda a tristeza de há nas águas.

Mas, ó riozinho
Segue a tua sorte
Na penumbra do silêncio
Há muitas almas assim,
Quando ficares triste,
Da tristeza dos desiludidos,
Recorda-te de mim.



O Homem



Nascido nesta cidade, em 11 de março de 1883, Francisco Lagreca estudou no Colégio Piracicabano. Formou-se em Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, tornando-se amigo de figuras notáveis da intelectualidade brasileira, tais como Olavo Bilac, Batista Cepelos , René Thiollier. Em 1906, bacharelou-se pelas "Arcadas" famosas e já se tornara conhecido pela beleza de seus versos. Conhecido como "O Poeta de Piracicaba".








Já aos 13 anos de idade, Lagreca se revelara poeta de rara inspiração. Foi quando escreveu o poema "O Salto", que foi enviada a Olavo Bilac (2), despertou também poeta, Brasílio Machado(3) admiração e respeito. Foi inspirado no espetáculo descrito por Lagreca, em "O Salto", que Brasílio Machado escreveu o poema que se tornou um dos símbolos de "Piracicaba", no qual fixou a imagem da "Noiva da Colina".

Era casado com Luiza Capellari Lagreca.



Pertenceu a uma brilhante boemia literária, com Batista Capelos (1), Renê Thioilierm(4) , Olavo Bilac, Nóbrega de Siqueira. Bilac, ouvindo-o falar em público uma vez, empolgou-se com a veemência de sua frase, com a sugestão de sua figura de tribuno, denominando-o de “a tempestade vermelha”.


"Adeus tempestade! Adeus amigo Golias" Um abraço de Olavo Bilac"



Ganhou menção honrosa na Academia Brasileira de Letras com o livro “Cidade do Amor” em 1922.



Foi um dos participantes da “Semana de Arte Moderna de 1922, ao lado de Graça Aranha (5), Oswald e Mario de Andrade, Guilherme de Almeida e outros.



A monografia “Apologia de Arte Moderna”, publicada em 1923 é de sua autoria. Outro livro, “Alma Nova” foi adotado em todas as escolas primárias do Estado de São Paulo.
Colaborou intensamente com os jornais "Diário da Manhã", "Diário de São Paulo", "A Manhã", "Jornal do Commercio", nas revistas "A Cigarra", "Vida Moderna" e outras publicações. Em Piracicaba, a sua intensa produção literária foi publicada no "Jornal de Piracicaba". Tinha conhecimentos com Cassiano Ricardo (6).


Entre os múltiplos relacionamentos que tinha, encontramos nomes como João Chiarini(7) , João Ferraz de Toledo(8) , Samuel Neves (9), João Sampaio, Virgilio Leonardo, Zeferino Bacchi (10), Antonio Calil, Pe Martinho Salgot, Hélio Penteado de Castro(11) , Benedito Dutra Teixeira (12), João Dutra (13), José Mello Ayres (14), Pedro Cofanni, Júlio Prestes FOTO, Emília de Castro Eça de Queiroz(15).


Se abraçava ao panteismo, sabia respeitar e não denegrir outros valores filosóficos.

Por duas vezes escreveu nosso ilustre jornalista piracicabano Dr. Fortunato Losso Neto sobre esta marcante personagem que abrilhantou esta cidade. A primeira vez foi em 11 de dezembro de 1960, e que provavelmente constitui-se em depoimento único mostranto sua pessoa incisiva e marcante. Estas letras foram republicadas no Jornal de Piracicaba de 14 de novembro de 2010, e não poderíamos nos furtar de relembra-ls na íntegra.
Uma das figuras piracicabanas mais interessantes do primeiro quartel deste século foi, sem dúvida, a do poeta e tribuno Francisco Lagreca. Seu aspecto físico um homenzarrão apoplético, cabelos de fogo, pele sardenta, olhar penetrante, induzia um temperamento ardente, uma personalidade pugnaz e combativa. Em parte, a impressão era verdadeira. Desde os bancos acadêmicos, Francisco Lagreca se revelou um inconformado com as injustiças e ficou célebre com seu opúsculo Em Defesa do Mestre, que escreveu para defender Eça de Queiroz de críticas ao seu valor literário.
Por toda a vida, esse homem curioso e cheio de aparentes contradições, mostrou a ardente chama que o consumia quando defendia pontos de vista, não só no terreno profissional como no jornalismo ou na política. Ninguém mais inflamado, numa oração popular. Seu verbo ribombava pela multidão, elevava a temperatura emocional dos ouvintes e na peroração já possuía todas as vontades coletivas a seu lado, e levaria o povo para onde quer que desejasse, para a revolução sangrenta ou para o voto em massa.
Eu o conheci ainda na meninice. Residindo eu na rua da Boa Morte, Francisco Lagreca construiu uma casa residencial na área justamente de minhas andanças de moleque, o prédio onde hoje mora Luiz Dias Gonzaga (atual rua Alferes José Caetano esquina com a rua D. Pedro II). Passava por ali e via aquele homem grandalhão, de roupa clara e corrente de ouro atravessada no colete, de voz tonitroante, seguindo as obras, conversando com os pedreiros amistosamente. Foi nessa oportunidade que se me gravou fundamente a figura de Francisco Lagreca. O homem se achava ali na esquina vendo a construção quando transitava pela rua Alferes uma carroça tirada por animal muito magro, que visivelmente não conseguiu vencer o esforço necessário ao transporte de carga excessiva que enchia o veículo. E em dado momento fraquejou, dobrou os joelhos, arquejando. O carroceiro, em brutamontes sem entranhas, lept. lept, lept com a chibata no lombo do animal.
Uma cena inédita para mim se de¬senrolou então: Francisco Lagreca atravessou a rua fuzilando, tomou violentamente das mãos do carroceiro o instrumento de tortura, e desandou numa saraivada de impropérios, em defesa do animal tão impiedosamente mal-tratado por aquele que lhe explorava o trabalho, até as últimas consequências. O bruto, atônito pelo inopinado da intervenção do causídico. e certamente lhe reconhecendo a determinação de enfrentar a situação, desmanchou-se em desculpas, alinhavando umas razões que ainda mais exasperavam o ardoroso defensor dos animais.
Com o decorrer dos tempos, pude acompanhar a atuação de Francisco Lagreca, como representante nesta cidade da Sociedade Protetora dos Animais, uma entidade do ação anodina e platônica, quando não tem homens que sintam no fundo da alma, como o saudoso poeta piracicabano, toda a grandeza dessa solidariedade para com os pobres animais amigos do homem, Como São Francisco do Assis, Francisco Lagreca via nos entes irracionais que nos rodeiam algo de profundamente respeitável: o irmão cão, o irmão boi...
Ao que parece, Franciseo Lagreca está fazendo imensa falta em Piracicaba, na sua atuação vigorosa em defesa dos pobres animais de trabalho. Vemo-los muito frequentemente magros, doentes, subnutridos, submetidos a excessivo trabalho, ao sol ardente, sempre pacientes, explorados por gente sem alma. Muitas vezes surpreendemos um olhar triste, uma expressão dolorosa nesses pobres companheiros, deste fundo vale de lágrimas. Será que a inspiração, o exemplo de bondade desse grande amigo dos animais não tocará a consciência desses brutos, fazendo ressurgir em nossa torra o espírito de caridade, que há tanto tempo desertou de seus empedernidos corações?


Também as linhas abaixo são do jornalista Losso Neto:

"Francisco Lagreca pode ser chamado o poeta de Piracicaba por excelência. Ninguém foi mais fiel, nem mais constante, em seu arrebatado amor pela cidade natal. Ninguém lhe descreveu as belezas naturais com maior paixão. (...) tudo fala gritantemente de Piracicaba, imprimindo uma veracidade tão fiel, que se sente o poeta e a terra em comovedora comunhão."

O Jornal de Piracicaba de 23 de agosto de 1944, uma quarta feira, assim se referiu ao passe de Lagreca em primeira página:


Faleceu ontem nesta cidade o poeta Francisco Lagreca.
A cidade foi abalada por uma notícia infausta que a encheu de pesar: faleceu o poeta Francisco Lagreca, o suave cantador das belezas de Piracicaba.

Acabrunhado ultimamente por pertinaz enfermidade, que o fez recolher-se por longos meses, retirado de toda a atividade pública, Francisco Lagreca veio a falecer ontem, às 11 horas, em sua residência.

O dr. Francisco Lagreca era filho de do Sr. Pedro Paulo Lagreca e de d. Maria Leopoldina Lagreca, residente em São Paulo, era casado com a a sra. D. Luiza Lagreca deixa uma filha, casada com o sr. Dr. Nelson da Silva.

Deixa os seguintes irmãos: Leopolde de Castro Lagreca, engenheiro residente em São Paulo; José de Castro Lagreca, advogado residente em São Paulo; Benigno de Castro Lagreca, residente nesta cidade; Galileu de Castro Lagreca, farmacêutico residente em Santos e Silvério de Castro Lagreca, dentista residente em São Paulo, Julieta, já falecida; Rosa, Leonor, Violeta, Helena, Zilpa e Gersemina, todas casadas e residentes em São Paulo. Deixa ainda um neto, Francisco Lagreca da Silva.
O seu sepultamento se dará hoje, às 12 horas, saindo o féretro da rua 15 de Novembro 1461.

Piracicabano apaixonado, plasmou em seus versos a terra natal, desde o frescor de suas madrugadas nevoentas até o poente incomparável da Rua do Porto, desde os oceanos verdes dos canaviais intermináveis até a grinalda imaculada do salto de Piracicaba. Se foi panteísta, soube ser também ... sentindo o rumo .... mas que sofrem na sua terra. ????

Militou na política e como tribuno popular,conseguiu notoriedade. Arrastava multidões com sua voz trovejante, sua figura máscula, seus argumentos persuasivos.

Acompanhou o movimento modernista de nossa literatura com Graça Aranha, Osvald de Andrade, Mário de Andrade, Menoti Del Pichia, Brecheret, Guilherme de Almeida.

Foi jornalista militante, colaborando intensamente no Jornal por muitos anos. Foi redator- fundador do Diário da Manhã de São Paulo, juntamente com Batista Cepelos. Colaborou com O Jornal do Comércio, A Manhã, Diário de São Paulo e em numerosas revistas dói país. Foi um dos iniciadores de Cassiano Ricardo no jornalismo.

A sua bagagem literária, grande e valiosa “Em Defesa do Mestre”, um magnífico estudo literário sobre Eça de Queiroz, “Alma Nova”, “Apologia da Arte Moderna”, Porque Não me Ufano de meu País” e outros livros a publicar, como Figuras de Proa, “Casa de Esquina”, “Exaltação”, Musa Humilde”.

Francisco Lagreca candidatou-se à Academia Paulista de Letras, na vaga deixada por Gustavo Teixeira, vencendo-o Afonso Schmidt.

A legenda do Monumento aos Voluntários Piracicabanos, que se ergue na Praça 7 de setembro é de sua autoria, vencendo o concurso instituído pela Prefeitura Municipal.

Em seu livro “Alma Nova” recebeu menção honrosa da Academia Brasileira de Letras, com voto de louvor especial do acadêmico conde de Afonso Celso.

Depois de longa carreira no foro desta cidade de das cidades circunvizinhas, passou o dr. Lagreca a exercer o cargo de tabelião de Piratininga e ultimamente em Pederneiras, de onde se afastou por motivo de saúde.


Cremos de importância a leitura cuidadosa destas poesias, pois nelas está descrita a Piracicaba da primeira metade do século XX, como o relatado no texto, e outras, como o Morro do Enxofre, o Jardim da Ponte e outros pontos da cidade.


Bibliografia



http://www.google.com/search?q=inauthor:lagreca&hl=pt-BR&tbs=bks:1&ei=9B5YTLnPAsL38AbB_520Cw&start=20&sa=N

Obras
Em defesa do Mestre 1906
Piracicaba Passado e Presente 1988?
Porque não me Ufano de Meu País 1919
Cidade do Amor 1922
Bibliografia
Sistema DEDALUS: Banco de Dados Bibliográficos da USP julho 2010
Poesias de Francisco Lagreca Francisco Lagreca Editora Aloisi Ltda 1959
Lar dos Velhinhos de Piracicaba A Saga e a Senda de um Ideal Olivio N. Alleoni Editora Unimed 2006
Almanaque 2000 Memorial de Piracicaba, Cecílio Elias Neto Yangraf Gráfica e Editora
Almanaque de Piracicaba 1955 Hélio M. Krähenbühl, Editora João Mendes Fonseca
Jornal de Piracicaba 23 de agosto de 1944
http://www.culturabrasil.pro.br/unificacao.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Murillo_La_Greca
Dicionário Houaiss da língua portuguesa.



Notas
1- Batista Cepelos figura na Poesia Simbolista de Péricles Eugênio da Silva Ramos. Sílvio Romero, ao tratar dos parnasianos, depois de citar Mário de Alencar, Goulart de Andrade e outros, acrescenta, em nota: "A estes devem-se juntar os recentes: Jonas da Silva, C. Porto Carreiro, Batista Cepelos e Luís Edmundo". Em verdade, Cepellos tinha traços mais simbolistas, sobretudo na obra Vaidades. No entanto, é justo que por causa de Bandeirantes, obra que mereceu prefácio de Olavo Bilac, seja inserido nesse rol de autores parnasianos.
Enveredou também pelo romance realista, publicando O vil metal, em 1910, que mereceu crítica de Lúcia Miguel-Pereira, em sua Prosa de Ficção, página 139: "Também o poeta Batista Cepellos se mostrou, com O vil metal (1910), um naturalista retardatário. Nessa tentativa de estudar o meio argentário de São Paulo e a ação corruptora do dinheiro adivinha-se o autor superior à obra, mais narrador - e bom narrador, embora por demais preso a Eça de Queirós - do que criador. Algumas páginas cheias de vida e movimento, como as caricaturas do literato falhado e do falso jornalista, explorador dos ricaços, mal compensam o convencionalismo dos tipos".
Teve os estudos financiados pelo senador Peixoto Gomide, e a convivência levou o escritor a apaixonar-se pela filha do senador. O casamento foi marcado, mas o político repentinamente assassinou a filha e, em seguida, se suicidou, revelando antes que os noivos podiam ser irmãos. O escritor, chocado, mudou-se para o Rio de Janeiro.
Em 1915, foi nomeado promotor público para Cantagalo, localidade do interior do estado do Rio de Janeiro.
Tentara, por três vezes sem êxito, ingressar na Academia Brasileira de Letras. No mês da inauguração do Teatro Trianon, a Companhia de Cristiano de Sousa levou à cena a peça Maria Madalena, tendo feito onze apresentações, incluindo um festival de homenagem ao poeta-dramaturgo agendado para o dia 10 de maio que acabou não ocorrendo.
Cepelos foi encontrado morto junto às pedras da praia que existia na rua Pedro Américo, no Catete. Não se sabe, até hoje, se teria se suicidado ou caído acidentalmente, pois era míope.

2- Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 1865 — Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 1918) foi um jornalista e poeta brasileiro, membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.
Conhecido por sua atenção a literatura infantil e, principalmente, pela participação cívica, era republicano e nacionalista. Bilac escreveu a letra do Hino à Bandeira e fez oposição ao governo de Floriano Peixoto. Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1896. Em 1907, foi eleito “príncipe dos poetas brasileiros”, pela revista Fon-Fon. Bilac, autor de alguns dos mais populares poemas brasileiros, é considerado o mais importante de nossos poetas parnasianos. No entanto, para o crítico João Adolfo Hansen, "o mestre do passado, do livro de poesia escrito longe do estéril turbilhão da rua, não será o mesmo mestre do presente, do jornal, a cronicar assuntos cotidianos do Rio, prontinho para intervenções de Agache e a erradicação da plebe rude, expulsa do centro para os morros"

3- Brasílio Augusto Machado de Oliveira (mais conhecido como Brasílio Machado) nasceu em São Paulo, em setembro de 1848. Cursou Direito nas "Arcad-as", onde foi contemporâneo de Rui Barbosa, Castro Alves, Afonso Pena e Rodrigues Alves. Casou-se com Dona Maria Leopoldina de Sousa e, depois de formado, foi promotor em Piracicaba, autor da expressão "Noiva da Colina", para home¬nagear a cidade. De volta a São Paulo, foi professor da Faculdade de Direito e, como advogado, precursor do uso da Medicina Legal no estudo e resolução de crimes. Foi membro da American Academy of Political and Social Science e, como escritor, foi fundador e primeiro presidente da Academia Paulista de Letras; autor das obras: Madressilva, Discursos, José de Anchieta e Obras Avulsas. Na Academia criou a expressão, até hoje famosa, "Paulista de 400 anos".
Brasílio não teve êxito na carreira política. Durante o Império, pertenceu ao partido Liberal e, apesar de monarquista intransigente era respeitado pelos republicanos. Faleceu em 5 de março de 1919.

4- René Thiollier (São Paulo, 1882 - 1968) foi um advogado e escritor brasileiro.[1] Seu pai foi o francês Alexandre Honoré Marie Thiollier e sua mãe Fortunata de Souza e Castro Thiollier, irmã da Baronesa de Itapetininga e Baronesa de Tatuí, proprietária de todo o vale do Anhangabaú, Antonio Bento de Souza e Castro, o abolicionista e Clementino de Souza e Castro, o Presidente da Intendências no período entre a Monarquia e a República. Clementino ocupou o cargo de Presidente das Intendências, cargo que foi o embrião para o título de Prefeito.
René Thiollier foi um intelectual que deu uma enorme contribuição para São Paulo. Estudou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, do Largo de São Francisco, formando-se na turma de 1906. Foi um dos fundadores do TBC - Teatro Brasileiro de Comédia, era conselheiro no Liceu de Artes e Ofícios. Foi um importante organizador da Semana de Arte Moderna em São Paulo. Amigo do prefeito Arthur Bernardes, foi René Thiollier quem conseguiu alugar o Teatro Municipal, pagando o aluguel de seu próprio bolso, dando como garantia seus bens pessoais, para que o evento tão polêmico e revolucionário nas artes, tivesse um palco a altura de tão importante evento cultural. René Thiollier ainda pediu ao Presidente do Estado, seu amigo também, para que patrocinasse parte da vinda dos artistas do Rio de Janeiro para a tão esperada Semana de 22.

5- José Pereira da Graça Aranha (São Luís, 21 de junho de 1868 — Rio de Janeiro, 26 de janeiro de 1931) foi um escritor e diplomata brasileiro, e um imortal da Academia Brasileira de Letras, considerado um autor pré-modernista no Brasil, sendo un dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922[1].
Devido aos cargos que ocupou na diplomacia brasileira em países europeus, ele esteve a par dos movimentos vanguardistas que surgiam na Europa, tendo tentado introduzi-los, à sua maneira, na literatura brasileira, rompendo com a Academia Brasileira de Letras por isso em 1924.
Nascido em uma família abastada do Maranhão, Graça Aranha graduou-se em em Direito pela Faculdade do Recife e exerceu cargos na magistratura e na carreira diplomática.
Assumiu o cargo de juiz de Direito no Rio de Janeiro, ocupando depois a mesma função em Porto do Cachoeiro (hoje Santa Leopoldina), no Espírito Santo. Nesse município ele buscou elementos necessários para criar sua obra mais importante, Canaã. Esta é um marco do chamado pré-modernismo, publicada em 1902, junto com a obra Os Sertões, de Euclides da Cunha.
Graça Aranha apresentou uma visão filosófica e artística assimilada de fontes muito diferentes e às vezes contraditórias.
Participou da Semana de Arte Moderna de 1922, sendo um dos seus organizadores, quando pronunciou o texto A Emoção Estética na Arte Moderna, defendendo uma arte, uma poesia e uma música novas, com algo do "Espírito Novo" apregoado por Apolinnaire[2]. Rompe com a Academia Brasileira de Letras em 1924, a qual acusou de passadista e dotada de total imobilismo literário. Ele chegou a declarar "Se a Academia se desvia desse movimento regenerador, se a Academia não se renova, morra a Academia!".

6- Cassiano Ricardo (26/07/1895, São José dos Campos (SP - 14/01/1974, Rio de Janeiro (RJ) )
Cassiano Ricardo Leite era filho de Francisco Leite Machado e Minervina Ricardo Leite. Fez os primeiros estudos na cidade natal. Iniciou o curso de Direito em São Paulo, concluindo-o no Rio, em 1917.
De volta a São Paulo, participou do movimento de reforma literária iniciada na Semana de Arte Moderna (1922). Também fez parte dos grupos nacionalistas "Verde Amarelo" e "Anta", ao lado de Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Raul Bopp, Cândido Mota Filho e outros.
No jornalismo, Cassiano Ricardo trabalhou como redator no "Correio Paulistano", e dirigiu "A Manhã", do Rio de Janeiro. Em 1924, fundou a "Novíssima", revista literária dedicada à causa dos modernistas e ao intercâmbio cultural pan-americano. Também foi o criador das revistas "Planalto" (1930) e "Invenção" (1962).
Em 1937 fundou, com Menotti del Picchia e Mota Filho, a "Bandeira", movimento político que se contrapunha ao Integralismo. Dirigiu, na mesma época, o jornal "O Anhangüera", que defendia a ideologia da Bandeira, condensada na fórmula: "Por uma democracia social brasileira, contra as ideologias dissolventes e exóticas." Também pertenceu ao Conselho Federal de Cultura, à Academia Paulista de Letras e à Academia Brasileira de Letras.
Poeta de caráter lírico-sentimental, em seus primeiros livros, "Dentro da Noite" (1911) e "A Flauta de Pã" (1917), ainda está preso ao Parnasianismo. A partir de "Vamos Caçar Papagaios" (1926) adere ao movimento de 1922, embora ainda não tenha superado a sensibilidade parnasiana.
Sua linguagem incorpora os valores da prosa, com definições e explicações freqüentes, mas sem prejuízo da linguagem poética. Obras mais expressivas: "Borrões de Verde e Amarelo" (1927), "Martim Cererê" (1928) e "Marcha para Oeste" (1940).

Acompanhou de perto as experiências do Concretismo e do Praxismo, movimentos da poesia de vanguarda nas décadas de 50 e 60.

7- Folclorista piracicabano.

8- Agricultor, exportador de laranjas na primeira metade do século XX.

9- Médico e prefeito de Piracicaba da primeira metade do século XX.

10- Médico oftalmologista em Piracicaba no século XX.

11- Professor da Escola Normal Sud Menucci de Piracicaba.

12- Prof de música do Colégio Assumpção, Escola Nornal.

13- Professor de artes e pintor de Piracicaba.

14- Último Diretor Vitalício da ESALQ- professor de química da ESALQ.

15- Esposa de Eça de Queiroz.




















Obs. do autor:





Encontramos três grafias do sobrenome: Lagreca, Lagrecca e La Greca, todos pertencentes à mesma família.

2 comentários:

Adriano Rossin disse...

Boa noite.

Apenas para sanar a dúvida. A irmã de Francisco Lagreca se chamava Zilpa, e não Zilma.

Grato

Adriano Lagreca Rossin

Adriano Rossin disse...

Boa noite.

Para sanar a dúvida. A irmã de Francisco Lagreca se chamava Zilpa e não Zilma.

Grato

Adriano Lagreca Rossin